USO DE TELAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Atualizado: 22 de Out de 2020



O uso de telas é comum na vida das famílias atualmente, benefícios e malefícios acompanham essa prática. O tempo de tela está se tornando maior e crianças em idades cada vez mais precoces têm acesso a celulares, computadores, tablets e televisões tanto em casa quanto em outros ambientes como escola, restaurantes, carros. O principal objetivo do uso de telas, nesse caso, não é educativo e sim fazer com que a criança fique "quieta".


Nos últimos anos vários pesquisadores por todo mundo têm estudado a influência dessa exposição precoce a telas, sendo que resultados preliminares mostraram que as crianças expostas a maior tempo de tela tiveram atraso de desenvolvimento se comparadas às expostas a menor tempo e o principal questionamento após os estudos iniciais era: O que veio primeiro o atraso de desenvolvimento ou o excesso de tela?

Novos estudos publicados em 2019 sugeriram que o maior tempo de tela aos 24 meses de idade foi associado a pior desempenho em testes de triagem de desenvolvimento realizados aos 36 meses de idade. As crianças analisadas nesses estudos assistiam em média entre 1,6 a 3,6 horas de tela por dia. Outro estudo publicado em 2020 mostrou que nos Estados Unidos as crianças até 5 anos assistem em média 2 horas e 19 minutos de tela por dia e que as crianças que viram menor quantidade de tempo são as que tinham por volta de 5 anos, a explicação dada pelos pesquisadores foi que a redução de tempo de tela coincidiu com a entrada dessas crianças na pré escola e consequentemente menor tempo em casa.


O desenvolvimento infantil é muito acelerado nos primeiros 5 anos de vida e quando crianças pequenas estão assistindo telas isso pode fazê - las perder oportunidade de brincar com outras crianças e desenvolver suas habilidades sociais, além de ficarem sentadas e não terem oportunidade de melhor desenvolvimento motor e de coordenação motora fina e grossa. Análise realizada pela Fundação NHS, da Inglaterra, revelou que as crianças britânicas estão chegando às salas de aula mal preparadas para escrever, cortar com tesoura ou fazer outras atividades que exijam força muscular nos dedos. Pediatras britânicos associaram esse despreparo a falta de atividades tradicionais como colorir, encaixar peças (por ex. lego), montar quebra cabeças.



Quando as crianças veem telas em grande quantidade (ou até mesmo em menor quantidade) pode acontecer uma hiperestimulação seja por desenhos, filmes, jogos ou mesmo aplicativos educativos. Esse estímulo em excesso gera uma saturação dos sentidos pois as crianças estão expostas a luzes coloridas e brilhantes, músicas repetitivas, trocas de cenas, recompensas imediatas (ex. mudar de nível em um aplicativo educativo ou jogo).


A saturação dos sentidos faz com que as crianças busquem de estímulos cada vez maiores, o mundo fora das telas se torna tedioso e surge a agitação, nervosismo e necessidade de procurar novos estímulos gerando inquietação. As consequências são ainda mais prejudiciais pois são crianças e adolescentes que podem ter baixo limiar à frustração, não conseguir esperar, não saber lidar com os sentimentos quando algo lhes é negado ou adiado.


Outro ponto prejudicial da hiperestimulação e excesso de telas é que as crianças e adolescentes não exploram os ambientes, não desenvolvem brincadeiras sem telas, recebem tudo pronto e acabam aprendendo que isso é o "normal". Por não se esforçarem e não buscarem possibilidades fora do mundo tecnológico podem se tornar passivos, sem iniciativa e até mesmo preguiçosos.


Os comportamentos prejudiciais à saúde como sedentarismo ou pouca quantidade de atividade física, dieta pouco variada e não nutritiva, são frequentemente estabelecidos na infância e adolescência e persistem na idade adulta. Logo quanto maior tempo as crianças passam em assistindo tela menor quantidade de atividade física que realizam, outro hábito prejudicial é ver telas durante a alimentação, isso pode induzir a obesidade pois a criança não tem noção da quantidade de que está comendo, além de não valorizar o alimento e reduzir a percepção dos sabores, texturas, cores e outras sensações que os alimentos proporcionam.


Além dos prejuízos citados um estudo realizado em Xangai mostrou também que a exposição excessiva a tela foi associada a redução de bem estar em crianças pré escolares, assim como uma redução da interação entre pais e filhos.


Uso de tela em adolescentes


Entre os adolescentes o tempo elevado de tela foi associado a menor aptidão motora, alterações comportamentais, baixa autoestima e piora da saúde mental. Pesquisa realizada no Brasil mostrou que 78% dos adolescentes assistem pelo menos 2 horas de TV ao dia, esse estudo não contabilizou outros tipos de tela, apenas a televisão. Já um estudo que analisou o tempo excessivo de telas (todos os tipos) por regiões brasileiras mostrou que o tempo de tela nas regiões Sul e Sudeste é ligeiramente maior que na região Nordeste, mas se comparar apenas o tempo de TV, não há diferença significativa entre as regiões. Essa diferença entre as regiões foi atribuída a fatores socioeconômicos e maior acesso dos adolescentes do Sul e Sudeste a outros tipos de telas que não sejam televisão.


É crescente o número de adolescentes que usam mais de duas horas ao dia computador e videogame. Em 2003 nos Estados Unidos 23 % dos adolescentes ficavam mais de duas horas em computador ou videogame ao dia, já em 2013 esse valor saltou para 41%. Estima - se que o tempo de tela atualmente é muito maior, pois não estava contabilizado nesses dados o uso de celulares, que hoje são mais populares. Em estudo realizado no sul do Brasil não houve diferença entre meninos e meninas no tempo que os adolescentes passaram em jogos de videogame e computadores. Já entre entre os adolescentes espanhóis os meninos passaram maior tempo que as meninas em jogos de videogame e computador, principalmente nos finais de semana.