Tratando o TDAH - como melhorar a qualidade de vida?




Hoje vamos continuar a falar sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Nosso foco vai ser o tratamento medicamentoso e não medicamentoso.


Como citamos no texto anterior o TDAH ocorre quando existe uma dificuldade da criança ou adulto que se manifesta como hiperatividade e/ou desatenção e que elas causam prejuízo funcional em dois ou mais ambientes da vida. Por exemplo em casa e na escola.


E qual é o objetivo do nosso tratamento? É promover uma melhor qualidade de vida, a curto e a longo prazo. Além dos critérios citados acima sabemos que as crianças que não tem o TDAH tratado apresentam maiores riscos para abuso de substância, maior risco de acidentes, pior evolução em relacionamentos, pior desempenho acadêmico e socioeconômico além maior frequência de tentativa de suicídio.



Vários estudos tem sido realizados para ver qual o tamanho do benefício real de tratar esses pacientes. Como o citado abaixo.

Esse estudo foi uma metaanálise que compilou o resultado de mais de 300 outros estudos de boa qualidade. E ele demonstra que quando comparamos individuos com TDAH sem tratamento são comparados com a população geral 74% apresenta um desempenho geral pior a longo prazo. E quando comparado o grupo de paciente com TDAH tratado 72% deles apresentaram um benefício significativo.


Uma vez demonstrado o benefício real do tratamento podemos começar a entender o que queremos trabalhar. O tratamento pode visar melhorar os sintomas centrais do TDAH: desatenção e hiperatividade. Ou pode focar no tratamentos de outras disfunções como a disfunção executiva, impulsividade e dificuldades escolares.


Os consensos de especialidade nos trazem algumas regras gerais para o tratamento. A primeira delas é que antes dos 6 anos de idade a primeira linha de tratamento é terapia não medicamentosa, a que apresenta maior nível de evidência atualmente é a terapia de treinamento parental em manejo comportamental além de intervenções no ambiente de sala de aula. Então cabe ao médico aconselhar a família e encaminhar para os profissionais habilitados além de informar a escola do diagnóstico ou suspeita via laudo e solicitar intervenções adequadas em conjunto com os pedagogos do colégio. Caso a criança não apresente resposta satisfatória com essa estratégia e o prejuízo seja muito significativo o médico pode vir a considerar o uso de medicações no auxílio terapêutico


A partir dos 6 anos até os 12 anos a estratégia de tratamento muda um pouco. A estratégia recomendada é o início de medicação junto a terapia.


  • Muitos pais nos perguntam, mas porque não tentar antes o tratamento apenas não medicamentoso e se não der certo partimos para a medicação após? Os estudos têm demonstrado que apesar das terapia comportamentais serem essenciais ao tratamento quando utilizadas de forma isolada elas não conseguem obter melhorias efetivas nos sintomas centrais do TDAH (a desatenção e a hiperatividade). Assim mantermos a criança apenas com esses tratamentos pode fazer com que ela perca oportunidades preciosas de aprendizado e socialização, tanto em casa quando no ambiente escolar, em um período muito importante de adaptação e desenvolvimento. Assim como realizar apenas o tratamento medicamentoso pode não levar a superação do prejuízo funcional, uma vez que ele é muito bom para os sintomas centrais, porém de pouca relevância para superar a disfunção executiva, dificuldade na socialização ou dificuldade escolar sem a estrutura criada pelas terapias e apoio pedagógico.


Para os 12 anos até os 18 anos o tratamento recomendado é semelhante, medicação e terapia, porém as opções de medicações que podem ser utilizadas são mais amplas e as terapias também. Muitas vezes já nessa idade ocorre uma mudança na manifestação das crianças e muitos daqueles com o perfil hiperativo podem parar de manifestar essa característica e permanecer apenas com uma apresentação de desatenção ou até mesmo parar de manifestar os critérios do TDAH e sair do espectro.


Também é importante lembrar que todos os pacientes devem passar por uma investigação de comorbidades (doenças associadas) que podem estar presentes. E algumas delas podem ter até prioridade de tratamento em relação ao TDAH. E por isso outras medidas e medicações além das citadas a seguir podem ser necessárias no tratamento.


Tendo esses esquemas na cabeça passamos agora para falar um pouco mais sobre as medicações que podem ser utilizadas no TDAH.


Elas são divididas em duas classes, as estimulantes e não estimulantes. Todos vão agir nos neurotransmissores (substâncias químicas utilizadas na passagem de informação de uma célula nervosa para outra dentro do nosso cérebro)


Metilfenidato (famosa Ritalina) é o principal medicamento utilizado no Brasil e ele pertence a classe dos medicamentos estimulantes. São várias as apresentações disponíveis dessa medicação no mercado brasileiro


Metilfenidato (padrão - Ritalina) tem um efeito de início rápido porém de curta duração (30 minutos para iniciar efeito e duração máxima de 4 horas). Geralmente utilizado logo antes do período escolar. Caso não repetida a dose durante o dia os efeitos só estarão presentes durante a escola. Tem um baixo custo.