• Benaia Silva

Você sabe quais os sinais do autismo em bebês? Por que é importante o diagnóstico precoce?

Atualizado: Jul 18


É fato que uma criança autista pode ter uma vida sem comprometimentos, contudo, para que isso ocorra, é importante que ela seja estimulada corretamente desde cedo, objetivando um desenvolvimento saudável que a permitirá alcançar sua independência. Alguns estudos, entretanto, afirmam que as crianças dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem apresentar alguns prejuízos no comportamento social e intelectual antes dos 12 meses, enquanto a média de diagnóstico segue sendo 5 anos de idade, dessa forma, percebe -se um atraso relevante entre o aparecimentos das primeiras características e o começo da estimulação correta, com acompanhamento multidisciplinar.


Assim, é importante treinar o olhar não só dos profissionais de saúde que acompanharão a criança, como também o olhar dos pais, responsáveis, cuidadores, professores e das pessoas da rede de apoio daquela família. Esse cuidado atento proporcionará à criança uma melhor qualidade de vida e uma melhor exploração das suas capacidades.


O primeiro passo desse treinamento é ampliar o acesso a informação, fazendo com que os sinais de alerta, importância do diagnóstico e estimulação precoces sejam bem entendidos pela população, uma vez que, sabe -se da existência da deficiência no diálogo com as famílias, principalmente as mais vulneráveis, culminando no atraso diagnóstico como elucida o estudo “Cuidando de quem cuida: : um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil em 2020”. O segundo desafio é quebrar o estereótipo que desvaloriza a criança dentro do espectro autista e faz as pessoas à sua volta que assumirem uma posição negacionista, achando, ingenuamente, que com essa atitude estaria protegendo a criança das adversidades.


Quais sinais que devemos nos atentar?


Normalmente os casos leves só têm o diagnóstico fechado após os 4 anos de idade, porém, é possível observar alguns sinais antes do primeiro ano de vida. Lembrando que se esses sinais estiverem presentes é essencial procurar um profissional capacitado para avaliar, pois a maioria deles não é exclusiva do Transtorno do Espectro Autista. Listamos alguns dos sinais por idade a seguir:


Até 9 meses

  • Bebês muito calmos ou agitados demais

  • Bebês que não acalmam no colo do cuidador

  • Bebês que não reagem a sons

  • Redução ou ausência de contato visual durante as mamadas

  • Rejeição ou evitação do seio materno

  • Ausência de sorriso social em resposta aos estímulos dos adultos

  • Transtornos de sono

  • Ausência ou pouca vocalização ou balbucio

  • Poucas expressões faciais

  • Não demonstra interesse pela face do cuidador ("olha através do outro")

  • Não buscam a voz do cuidador e não seguem sons diferentes no ambiente

  • Dificuldade na aceitação da alimentação complementar (a partir de 6 meses)

  • Podem estranhar mudanças de rotina

9 meses a 12 meses

  • Apresenta pouca identificação pelo nome e não responde frequentemente quando chamado (não olha quando chamado pelo nome)

  • Dificuldade em compartilhar atenção (ex. não olha para algo que apontamos)

  • Comportamentos de imitação reduzidos

  • Redução de gestos

  • Estranham excessivamente as pessoas (é normal estranhar pessoas a partir dos 9 meses de idade, então esse sinal deve ser analisado no contexto)

  • Não estranha nenhuma pessoa após 9 meses também pode ser um dos sinais, deve ser analisado no contexto do caso

  • Estranham ambientes diferentes e pode permanecer alheio e hipoativo

  • Podem ser muito irritados

  • Interesse excessivo por objetos que giram ou brilham

  • Se concentra em partes pequenas dos brinquedos ou se interessa em excesso por objetos que não são brinquedos

  • Parece não compreender algumas situações

  • Dificuldade em manter o contato visual

  • Podem realizar movimentos repetitivos - estereotipias

  • Pouco interesse por outras crianças, principalmente pelas da mesma idade

A partir de 12 meses

  • Tendência ao isolamento ou apego excessivo a um cuidador

  • Resistente à mudanças de rotina

  • Pode apresentar interesses restritos a alguns brinquedos, objetos, desenhos, pessoas

  • Até 1 ano não balbucia palavras

  • Não apresenta gestos convencionais como dar tchau, mandar beijo

  • Regressão de habilidades já adquiridas

  • Pode andar na ponta dos pés

  • Não brinca adequadamente com os brinquedos

  • Enfileira ou empilha objetos

  • Até 1 ano e 6 meses não fala 5 a 10 palavras que todos entendam

  • Não obedecem ordens simples (ex. dá para mim, senta, levanta, pega…)

  • Aos 2 anos de idade não falam 100 a 150 palavras que todos entendam e não começou a falar frases simples

  • Vocabulário restrito ou vocabulário muito rebuscado para a idade

  • Dificuldade em interagir com crianças da mesma idade

  • Birras em excesso

  • Estereotipias quando está feliz, triste, excitado, irritado

  • Não aponta o que quer

  • Utiliza as pessoas como instrumento (ex. pega a mão do cuidador e coloca em cima do que quer)

  • Podem ter ecolalia - repetir sons, palavras

  • Seletividade alimentar

Após os 18 meses as características do autismo se tornam mais evidentes e é obrigatória a investigação pelo pediatra de qualquer atraso de contato social, linguagem verbal e não verbal, interesses restritos e repetitivos, estereotipias. A Academia Americana de Pediatria recomenda que toda a criança seja submetida a uma triagem para o TEA entre 18 e 24 meses de idade, mesmo aquelas que não estão sob suspeita diagnóstica de TEA ou outros transtornos, desvios e atrasos do desenvolvimento.


A triagem pode ser feita pela aplicação do M-CHAT e esse teste pode ser repetido em intervalos regulares de tempo. O M-CHAT é um teste de triagem e não de diagnóstico, nem todas as crianças que pontuam no M-CHAT serão diagnosticadas autistas. No entanto, nos casos de escores positivos é fundamental procurar avaliação especializada por médico especialista e equipe interdisciplinar o mais breve possível. O M-CHAT é um instrumento protegido por direitos autorais, devido a isso não pode ser reproduzido aqui, mas é facilmente encontrado em sites de buscas.


O autismo, não é uma doença, portanto não tem cura, porém a estimulação adequada é capaz de proporcionar uma melhora nos relacionamentos sociais, na comunicação e nas habilidades de autocuidado, permitindo à criança um melhor entendimento da sua realidade e desafios, bem como a preparação necessária para superá-los e viver com qualidade. Portanto, se no seu convívio tem alguma criança que se enquadra nesse contexto, tente conversar com a família para buscar ajuda profissional o quanto antes!



Este texto foi produzido como atividade do Projeto Padrinho Med.



O projeto Padrinho Med foi idealizado pela médica Flávia Ju e tem objetivo de aproximar os médicos dos estudantes de medicina, promovendo troca de experiências e produção de conteúdo tanto científico quanto informativo à população.








Autora do texto: Silvia Sayonara



Acadêmica de medicina da UFS- Universidade Federal de Sergipe







Coautora e revisora: Benaia Silva - médica neurologista pediátrica.




Para mais informações sobre a autora clique na imagem ao lado.


REFERÊNCIAS


Robins D, Fein D, Barton M, Resegue RM (Trad. Questionário Modificado para a Triagem do Autismo em Crianças entre 16 e 30 meses, Revisado, com Entrevista de Seguimento (M-CHAT-F/F)TM [Internet]. 2009 Available from: http://www.mchatscreen.com. [cited 2020 Jan 22].


SPB. Sociedade Brasileira de Pediatria. Transtorno do espectro autista. Manual de orientação. Departamento de pediatria do desenvolvimento e comportamento. Nº5, 2019.

SPB. Sociedade Brasileira de Pediatria. Diagnóstico precoce para o Transtorno do Espectro do Autismo é tema de novo documento do DC de Desenvolvimento e Comportamento, 2019.


Steffen, B. et. al. DIAGNÓSTICO PRECOCE DE AUTISMO: UMA REVISÃO LITERÁRIA. Revista saúde multidisciplinar. 6ª ed, 2019


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